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Terapia da Compaixão

Mestre Zen Budista Vietnamita Thich Nhat Hanh
Mestre Zen Budista Vietnamita Thich Nhat Hanh


Terapia da Compaixão


Compaixão é a capacidade de aliviar e transformar sofrimento e tristeza, trazendo leveza ao coração. Além de acolhimento, carinho e amorosidade, compaixão também manifesta imensa coragem e sabedoria. Compaixão e a sabedoria de  olhar profundamente e escutar profundamente o nosso próprio coração, o coração de outra pessoa, cultura ou sociedade. Escutar palavras caladas, escutar o silêncio e o som, lágrimas escondidas e expressões suprimidas. Compaixão é coragem de olhar para as raízes do sofrimento individual e coletivo e compreender como nossas ações, palavras e pensamentos podem transformar sofrimento em crescimento. O crescimento de nossa resiliência, de nossa capacidade de amar e cultivar relacionamentos saudáveis. 

Quando compreendemos nossa humanidade comum, a humanidade básica que existe em todos nós, nossa vulnerabilidade e sensibilidade, a compaixão nasce como um elemento de reconciliação. Nos reconciliamos com nós mesmos e com aqueles ao nosso redor. Todo ser vivo evita sofrer, e busca felicidade. E é essa fragilidade humana que se transforma em força. A força de alinhar nossas vidas com a ternura de nossa existência e com a universalidade da Vida.

Compaixão é uma comunicação profunda, que envolve todo nosso ser. Compaixão é uma energia que pode salvar vidas. Pode curar corações feridos, curar traumas pessoais e intergeracionais. Pode curar a humanidade, curar o planeta. 

O caminho da compaixão é um caminho sagrado e mágico. O universo inteiro nos acompanha neste caminho, despertando coragem, sabedoria e resiliência. Despertando amor sem fronteiras. 


 Por Favor me Chame pelos meus nomes verdadeiros. 

(Poema do Mestre Zen Vietnamita Thich Nhat Hanh)


Não diga que partirei amanhã —

mesmo hoje, ainda estou chegando.


Olhe profundamente: a cada segundo, estou chegando

para ser um broto em um galho de primavera,

para ser um pequeno pássaro, com asas ainda frágeis,

aprendendo a cantar em meu novo ninho,

para ser uma lagarta no coração de uma flor,

para ser uma joia escondida em uma pedra.


Eu ainda chego, para rir e chorar,

para temer e ter esperança.

O ritmo do meu coração é o nascimento e a morte

de tudo o que está vivo.


Eu sou uma efemérida metamorfoseando-se

na superfície do rio.

E eu sou o pássaro

que mergulha para engolir a efemérida.


Eu sou um sapo nadando alegremente

na água límpida de um lago.

E eu sou a cobra-d'água

que silenciosamente se alimenta do sapo.


Eu sou a criança em Uganda, toda pele e osso,

minhas pernas finas como varas de bambu.

E eu sou o comerciante de armas,

vendendo armas mortais para Uganda.


Eu sou a menina de doze anos,

refugiada em um pequeno barco,

que se joga no oceano

após ser estuprada por um pirata do mar.


E eu também sou o pirata,

meu coração ainda não é capaz

de ver e amar.


Eu sou um membro do Politburo,

com muito poder em minhas mãos.

E eu sou o homem que tem que pagar

sua "dívida de sangue" com meu povo

morrendo lentamente em um campo de trabalhos forçados.


Minha alegria é como a primavera, tão quente

que faz flores desabrocharem por toda a Terra.

Minha dor é como um rio de lágrimas,

tão vasto que preenche os quatro oceanos.


Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes,

para que eu possa ouvir todos os meus gritos e risos ao mesmo tempo,

para que eu possa ver que minha alegria e dor são uma só.


Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes,

para que eu possa acordar

e a porta do meu coração

possa ficar aberta,

a porta da compaixão.



 
 
 

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